domingo, 22 de março de 2015

Tenho o mapa em branco.

Tenho o mapa em branco,
Tenho o rumo traçado
num mapa em branco.

Tenho a alma cansada.
Tenho a alma cansada
de tentativas,
em branco.

Mas tenho mais.
Mas tenho a força,
Mas tenho mais.
Mas tenho a fé.
Mas tenho mais.
Mas tenho a sede.

Tenho a carta escrita
num papel em branco.

Mas tenho mais.

Tenho a alma cheia.
Tenho o corpo pesado
de rumos em branco.

Mas o branco não pesa.

quinta-feira, 19 de março de 2015

?

há um dia por dia,
que o dia deixa de ser dia.
dá lugar uma vida ao dia,
que não pode ser vida em dia.

se a minha for vida
e o teu for dia
é dia de ver a vida
em nossos dias..

Uma "Sésta" ao sol

Será sempre uma causa perdida.
O amor.
Será sempre um início com fim incerto
O amor.

Terá sempre uma dor mais forte que outra
O amor.
Terá sempre um quando de paixão na dor.
O amor.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Um dia...

Um dia ele escondeu-se.
Um dia ele fez de conta que ela não existia.
Um dia ela esqueceu-se.
Um dia ela esqueceu-se que ele existia.

Um dia ele mentiu-lhe.
Um dia ele imaginou outra vida.
Um dia ela perdeu-se.
Um dia ela imaginou uma outra saída.

domingo, 15 de março de 2015

parar para recomeçar

uma sesta
um descanso
uma pausa para um novo início

uma sesta
um carregar de energias
um momento para reflectir
uma pausa para um novo início

uma sesta
um novo fôlego
uma brisa de fé
uma pausa para um novo início

não será essa esse o nosso circulo?
parar para recomeçar?

A Sésta

A Sésta


Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o sôno a mal-resonar. 

Junto d'Ella, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou cançada de tanto sôno fingir. 

E Elle ameaça fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos braços nús estendidos. 

E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse outra vez. 

Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'